terça-feira, 24 de abril de 2012

Descobertas


Engraçado, ela tem descoberto algumas manias ultimamente. Um vício ‘perigoso’ em azeitonas verdes – perigoso porque a mãe insiste em dizer que sobe a pressão – uma incessante vontade de temakis para o resto da vida e até o alto nível de estresse pelos fios perdidos à frente da cabeça. Bem onde tooodo mundo vai ver.

Ok, não são grandes coisas, diferentes, quem sabe, mas nada lá muito excepcional, afinal, que mulher não se irrita com os rebeldes do cabelo? Todas! Que mulher não tem vícios? Seja ele  azeitonas verdes, ou comprar cores estranhas de esmalte.

Um de seus últimos estados foi a ‘estranheza’. Maneira estranha - justamente -  de começar um parágrafo, não? Mas é isso, tem se sentido estranha, distante, fora o problema de concentração, já tão corriqueiro.

Descobriu sua dificuldade em lidar com a convivência. Quem sabe, sabe. É algo complicado; formar seus pares em locais de fácil contato, facílimo, pra ser mais exata. Colégio, trabalho, curso. Não sei, mas me parece que ela tem certo apreço por essas pessoas, atrai sua atenção e até hoje, nenhum deles deu certo.

Poxa, tá difícil. Esses dias ela me disse  que chorou copiosamente – adoro essa palavra – no travesseiro, antes de dormir mesmo, quando deveria limpar a mente e o corpo de todo o cansaço do dia, da tarde e, pra variar, da noite.

Hoje se encontrou com a querida avenida dos passos atrasados. Coisa linda, o sol, a vontade de sair andando por ali e não ter hora pra voltar. Acho que seus olhos até brilharam, mas não tinha ninguém pra confirmar.

Quer saber? Os dias tem ficado difíceis, engolir aquela vontade de explodir não está fácil. E ela segue, como ouviu há muito, 'quando não aguentar mais, vai chorar baixinho, pra ninguém ouvir'.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Confesso

É como se em todas as vezes em que se olhavam alguma coisa acontecesse.
Não sei, palpitava, dava pra perceber o desconforto; um olhar tímido, um desdém forçado, um sorriso evitado...
Tudo, ou quase tudo, o que se podia ter sido feito, foi. E ainda assim ela sentia que faltava uma parte. Talvez seja a convivência diária, 'horária', quase insuportável...
Difícil, ter quase tudo e ao mesmo tempo não ter nada. Ela se esforça, força, numa  tentativa inútil e muito clichê, bloquear qualquer possibilidade emotiva. Quem dera.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Inspirações antes da madrugada

É tarde, e nem o fato de ter que acordar daqui há mais ou menos quatro horas, acalmam a sua mente.

São pai e filha, e talvez pelo fato de se amarem tanto, muitos embates acontecem. Talvez pela distância de gerações, as opiniões soam tão controversas, e, na maioria das vezes até ofensiva. Pensam que se odeiam, mas, e se não for tudo isso? É realmente difícil tentar explicar isso em meio a gritos e lágrimas. Ok, ficou um pouco melodramático demais, né? Mas é exatamente isso.

A sala vira um ringue, a diferença é que os socos, pontapés e chutes, são trocados por gritos histéricos, acompanhados da aflição da mãe e do medo que o pai levante na fúria e se jogue para cima da caçula.

Que loucura, não? Mas quem é que nunca escandalizou dessa forma com os pais?

Talvez o fato de serem tão parecidos, apesar de tudo, ajude para que não se entendam. Pensam que se odeiam e jogam contra a cara do outro. Que raiva!

Burrice na maioria das vezes. Sabe que não seria tão complicado levar o pai na ‘maciota’, mas a vontade em bater de frente e fazer acontecer a sua opinião, assim, tão escancaradamente, prevalecem. Burra! As palavras da mãe nunca fizeram efeito. Que droga!

Nem com a irmã é possível se entender. Parece que não precisa da sua ajuda e não se importa em delatá-la na grande maioria das vezes. Cumplicidade zero.

Ela se tranca no quarto, só seu não há muito tempo, e chora mais que uma criança. Ele fica na sala, trocando de canal, assistindo ao noticiário noturno com aquela cara e o comentário direcionado à esposa: ‘viu o que elas pensam de mim? Que eu odeio elas...’ – a irmã mais velha lança um: ‘eu nunca disse isso, não fala por mim, eu jamais falei isso’.

O choque é grande, sabe? Deu vontade de sumir, dormir na casa da avó, que a aquela altura estaria na janela da sua casa dos fundo, tentando discernir dos gritos as palavras completas, para garantir que ninguém estivesse apanhando, de não ter nascido e, pra variar, se é que ela se importa, aquele sentimento de ‘pouts, que merda, não devia ter falado nada!’.

Amanhã, ou logo menos, é outro dia, e o pai não vai falar com ela e mais as outras mulheres da casa, mas não fará diferença. Lá em casa, quando o pai briga com uma o ditado é: ‘briguei com uma, odeio todas’.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

GPA

Sempre atraso alguns textos pensando em postá-los depois, e o tempo passa sem que eles sejam conhecidos, o fato é que chega a ser engraçado como alguns dos meus melhores momentos acontecem antes de dormir. Sempre me aparece alguma coisa, começa a palpitar tudo aqui dentro e eu só procuro escrever.

Faz tempo, mas eu ainda me lembro aquelas manhãs tão sonolentas e frias, ou até de calor, em que eu precisava subir no salto, colocar um social, pegar a mochila, nada graciosa e subir no ônibus. Dormia uma hora, parece que meu inconsciente já estava programado, sabe? Nem precisava me preocupar, tanto, só vez ou outra que eu acordava batendo a cabeça no vidro, ou achando que tinha começado a roncar. Dentro do ônibus, pode isso? Constrangedor mesmo. Depois, era o metrô, apertado, desconfortável, mas a única linha que eu gosto, ainda hoje, e para fechar, a avenida que me faz um bem e mal ainda, cheia de histórias e passos atrasados. Eu descia a grande avenida, e escolhia qual lado descer, dependendo do dia, só pra não cair na inevitável rotina. Passava por dentro do “shopinho”, olhava alguns livros, pensava naqueles que eu queria comprar e tomava o caminho.

A mochila pesava, como pesava, ainda mais quando eu resolvi carregar pra cima e pra baixo aquele computador. Incrível como eu não tinha medo de pegar metrô, ônibus e andar a pé com aquilo nas costas. Acho que já fazia parte de mim.

No começo era até legal, tudo novo, aprendendo a apanhar e depois, distribuindo socos aos que tentavam me enfrentar. Difícil, começar sempre pelo mais difícil não é sempre tão legal. Ainda mais quando você é a única, só. Conheci pessoas maravilhosas, e o vinagre balsâmico ainda me lembra dos almoços com Roseli, a única que sabia brigar comigo. Precisei.

A locadora, o prédio, o cabelo, as pessoas, a música e o namorado. O telefone era liberado, mas assim, liberado mesmo. Imagine se eu não gostava, obvio. Também preferia o prédio bonito, aquele de frente pra avenida, quase em frente à casa do papai Abílio e à Lorena. Bonita, comprida e de gente abonada.

O dia passava, dependendo dos problemas, rápido ou muito lentamente, como em qualquer outro trabalho. Cada dia mais gente entrava pra lista de contatos, técnico, técnicas, máquinas, palavrões, postura e o salário. A folha de ponto era preenchida, não garanto que dizia totalmente a verdade, mas confesso que quando apareceu, minha disciplina aumentou. Ou foi mesmo uma forma de passar por cima sem saberem? Não mereci, mereciam.

Assim como hoje, eu preferia o horário de verão, às 17h30, que era quando eu no máximo desaparecia daquele lugar, estava tudo claro. Subir a Brigadeiro a pé não seria problema, mas o Bilhete sempre falou mais alto. Metrô lotado, a mochila na mão, e o celular atento, vira e mexe aparecia um problema novo, daqueles que precisavam do suporte, insuportável, para ser resolvido. Ótimo o caminho da faculdade se tornava tão mais chato!

Quando não acontecia, era lindo, o metrô continuava lotado, mas o celular ficava no FM ou em algumas músicas do arquivo. Corre do metrô, não lembro agora qual linha, mas a integração ajudava, e eu depois de entrar em um ônibus pela terceira vez eu subia no próximo, a quarta. Muita gente e, dependendo do humor eu ficava na fila esperando o próximo, encontrava sogra, namorado, alguém que segurasse a mochila, ou até conseguia sentar e cochilar, dessa vez o caminho até a Anchieta era mais curto. Perder o ponto não seria nada bom, apesar de ter acontecido uma única vez, em que eu quase que literalmente pulei os bancos para descer correndo no ponto segundo ponto depois da faculdade.

Quando não tinha aula, o número era 493, e é ainda hoje, caso eu queira fazer o mesmo caminho. Impressionante, não importava o dia, ou lugar em que e sentasse, o sono perseguia. Claro que, nessa volta, o medo surgia, agarrava a mochila e só acordava próxima de casa. Era também um trajeto muito cansativo, mas foi em vários dele que eu descobria In Natura, o “Sorriso de Flor”, as mensagens e ligações mais meigas e cretinas também. A chuva que parava tudo, as lágrimas que escorriam escondidas dos outros passageiros, o coração apertado e o dia que a descobriu, podia ficar sozinha.

Tanta coisa ainda ficou, tanta coisa faltou, acho que sobra também, mas não importa. O caminho vai sempre me trazer lembranças, e eu lembro, não saudosa, mas estranhamente feliz e desconfortável. Ainda não sei o porquê.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"Eu vezes você, quanto que dá?"

O dia havia começado estranho, ou na verdade nem tão estranho assim. Foi trabalhar a pé, coisa que não fazia há tempos e gostou de começar a manhã assim. Atrasada.

A paciência começa a ficar no limite à medida que os andares se aproximam do seu. Começou, trabalhou, procurou, pintou, arrumou.

Sua voz não estava lá essas coisas, gripe forte e garganta doendo. Fofocas em dia, até que uma pastilha a salvou, ou quase, da rouquidão.Mas ainda tinha a cabeça nas conversas e observações do dia anterior.Sentiu, daquela vez sentiu.

Falta, e na realidade falta de algo que ela nunca viveu. Curiosa e persistente, não se cansaria de ouvir sempre a mesma descrição, a mesma história e as mesmas impressões, da mesma maneira que não se cansaria daquelas fotos, vistas há algumas semanas.

O café já não fazia tanta diferença, o estômago não se importaria com mais alguns goles. Só precisava espantar o sono que sentia e detestava.

A véspera de sexta-feira não tirou aquilo da cabeça. De repente tudo se agitou, de onde veio tudo isso? Jamais. Quando ela se agita, tudo fica meio bagunçado, coisas a fazer, e-mails a enviar e
histórias pra montar. Como era possível surgir tanta afobação, de repente??

Acessou os as mensagens pouco mais cedo, respondeu o que devia e esperou.

Estranho esperar ansiosamente por algo que ela já desconfiava não ser de todo bom. Tinha lá suas esperanças, quem sabe a palpitação não teria um motivo, dessa vez? Não.

Seus e-mails sempre se dividem, ela e a amiga respondem tudo praticamente na mesma ordem, os espaços separam os assuntos.

Parece combinado. Dessa vez foi tudo junto e a cópia de uma conversa.

Ela leu cada linha, voltou e leu de novo. Alguns erros de digitação indicavam um teclado problemático. Precisou ler mais vezes o final da história, não era com ela. O que fazer?

“Sempre me pareceu fácil seguir depois de um relacionamento. Eu dizia que faria tudo para esquecer, e esquecia, ou no começo, fingia mesmo esquecer. Não sei de onde apareceu tanta ansiedade, ou sei, aqui dentro é tudo muito confuso e ao mesmo tempo tão certo.

Se eu disser que aquilo doeu, dá pra acreditar?Alguns milhares de quilômetros ainda me perturbavam e eu não consegui sair de tudo. Ainda não.

Não acreditei em histórias, foi ao vivo e, quando percebi que a recíproca estava ali, não quis, mas deixei.Quem sabe finalmente acontece? Quando?

Ainda, ainda, que palavra cretina! Transbordo em ansiedade e impaciência. Não quero mais nada e cansei de dizer que vou morrer de trabalhar para me livrar desses pensamentos. Mentira!

A coisa funciona um mês, dois meses e sigo assim. Uma hora tudo fica tenso e aí aquela loucura e vontade aparecem novamente. É bom ser independente? É ótimo, dá pra fazer o que quiser, mas e quando tudo se acalma? Quando você precisa voltar pra casa, e eu preferia morar sozinha, e quer ver um filme meigo e fechar a noite debaixo do cobertor, aquele de orelhas, mas não há nada disso. Como faz?

O meu relógio não acompanha, a hora passa, quando vai ser a certa? Não quero os mesmos assuntos, as mesmas declarações e os mesmos sms, previsibilidade tira meu ânimo.

Acho que vou trabalhar um pouco pra ocupar o espaço vago aqui dentro."

quinta-feira, 10 de março de 2011

Eu tenho memória

“Agora eu queria apresentar uma música de autoria de Dé, Bebel e Cazuza, chamada Eu Preciso Dizer que Te Amo. Bebel vai começar a cantar agora, por favor, não façam barulho no ambiente. Muito obrigado.” - Cazuza e Bebel Gilberto - Eu Preciso Dizer que Te Amo

Ao som de Gene Kelly com “Singing In The Rain” e depois de muito hesitar em começar ou não esse texto resolvi que já havia enrolado demais e parti para a ação.

No momento estou no meio do download de “Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias” o último disco de Vanessa da Mata, que nome meigo, não? É de se pensar, pelo menos no meu caso eu consigo fazer algumas ligações: adoro andar de bicicleta, apesar de o sedentarismo me dominar na maioria das vezes; bolos são sempre necessários, as comemorações de aniversário que me tem presente que o digam; já as outras alegrias eu posso dizer que é a ligação entre o simples pedalar da bicicleta e o saborear um delicioso bolo. Tá bom, o espírito gordo baixou na menina, mas é verdade, né?

Gene está no repeat e eu tinha imaginado um começo totalmente diferente para esse texto, mas já que ele criou pernas e surgiu quando precisou, devo logo explicar a que ele veio certo?

Eu tenho memória, muita na verdade. Costumo dizer que isso é muito bom e também muito ruim. Não guardo muitas das datas importantes, os dias mesmo, mas sei como aconteceram e quem sabe até porque aconteceram.

Lembro os olhares um pouco assustados de nós, hoje ex-alunos, no primeiro dia de aula na faculdade. Recordo também das 18h no metrô Brigadeiro, quando fui pegar uma camiseta customizada que havia prometido, para mim mesma, dar ao ex-namorado que nunca mereceu.

Ok, não são fatos que eu esqueceria facilmente, mas tem vários, claro que alguns brotam surpreendentemente “do nada” e eu só fico pensando quanto tempo passou e o quando eu aprendi com o que houve.

Além da memória, eu tenho a música, e isso, eu acho, torna a coisa um pouco estranha. Ou não? Na verdade, acho que essa necessidade por música a todo e qualquer, qualquer mesmo, momento, vem desde o fundamental; quando, durante as aulas, tínhamos caixinhas de som acima da porta azul da classe, tocando algo que hoje me parece Enya, ou ainda sons de água e passarinhos cantando. Como eu gostava daquilo, hoje quase não sei fazer nada sem música.

Desde que me entendo por gente, ouço uma infinidade de sons “diferentes”, fato que há tempos atrás me rendia uma imagem estranha. Só não posso negar que eu não ajudei com isso, quando ficava, durante o ensino médio, em uma das últimas carteiras, com a agenda e o discman, é isso mesmo, aquele aparelhinho generosamente grande, se comparado ao Ipod Shuffle - presente - que possuo atualmente. Aquele que, quando colocado na mochila, tinha que ser carregado com o maior cuidado para que o CD não pulasse e saísse riscado de mais um dia de uso. Passava a maior parte do tempo de algumas aulas escrevendo, e achava o máximo aquele em que se lia “Folha de S.P.” e a agenda rosa, cheia de adesivos e fotos impressas e anexadas às folhas com micro clipes, hora coloridos, hora dourados.

O mais marcante era Corinne, a inglesinha me acompanha com a sua voz doce há tempos. Tinha também Céu, o disco que eu pedi emprestado, gravei e passava horas na “Malemolência”, quando eu e a poliglota de cabelos bonitos, ficávamos balançando os braços no meio da sala de aula.

E quando descobri que o louro bonito e de olhos azuis – que pra mim era só mais um louro de olhos azuis – gostava de Kings Of Convenience? Passamos algumas horas discursando sobre as melhores músicas.

A nostalgia é parte de mim, saudades sem saudosismo.

Quando pequena, a avó paterna – saudade – morava na mesma casa em que moro até hoje, e dormia no quarto que hoje é meu. A cama tinha os pés virados pra porta, não muito, quase. A TV ficava onde hoje existe uma caixa de papelão esperando ser revirada, e o videogame logo a frente.

Lembro-me de “Donkey Kong” ao som de Guilherme Arantes, por causa de um trabalho de Educação Artística da sétima série. Eu gostava de “Terra, Planeta áááágua” ou “Foi tão bom te conhecer, tão fácil te quereeer...” e por aí vai, era um CD ao vivo, se não me falha a memória. Depois aparecia o Twister, e a Lara Croft – aquela de “Tomb Raider” – entre pulos e mergulhos, com aqueles cenários que me davam medo.

Após os controles, passando pela oitava série, lembro-me de Linkin Park, a amiga japa apresentou e eu quis, como primeira camiseta de banda, a deles. Foi no amigo secreto, eu pedi, e aquela camiseta preta me foi dada. A capa do “Meteora” estampada, eu a tenho até hoje, e claro, ela não cabe mais em mim.

Puddle Of Mudd – Blurry, a trilha sonora do primeiro romance, essa e outras que formaram o primeiro presente. Bastante digno, mas hoje guardado em algum lugar que eu sequer imagino.

Na sexta série foi a vez de Skank e de Acima do Sol, quando eu gravava as músicas do próprio rádio, e sempre tinha aquela vinhetinha no meio pra fazer propaganda e estragar a minha música.

Eu me lembro de sempre ouvir alguma reclamação pelo som alto e pelos fones, usados em horas inapropriadas.

Lembro-me da praia e de um violão, com uma música tema não muito boa para um casal, mas também vejo, como uma foto a primeira vez que a ouvi, e a ouvi dele, o clique, o tapa na cara me dizendo: “acorda!” e depois tive que esquecer quase tudo.

Mas eu lembro, como a melhor recordação de todas de Florence & The Machine, “my dog days were over”, ou eu achei que fosse. Eu lembro o sorriso, não da risada, mas sim um belo sorriso que faz derreter até hoje, e que surgiu em meio à luz e a surpresa da música.

Eu tenho tudo em mim, trilhas, barulhos, perturbações e até detalhes que poderiam, mas quem sabe não quereriam ter aparecido no texto.

Estranho, eu acabo de escrever, mas ainda insisto com outros detalhes que não chegaram a tempo do final do texto. Sabe como é, eu tenho memória, mas só quando ela quer aparecer.

Detalhe, eu tinha muito mais, só deixei o menos.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Juro, no exercício das funções..."

"Juro, no exercício das funções de meu grau, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação. Juro empenhar todos os meus atos e palavras, meus esforços e meus conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade. Juro, no exercício do meu dever profissional, não omitir, não mentir e não distorcer informações, não manipular dados e, acima de tudo, não subordinar em favor de interesses pessoais o direito do cidadão à informação.”



Foram quatro anos. Tá bom, não exatamente quatro anos, mas bem perto disso, claro que há esse ou aquele que entraram depois ou mesmo o que já estava lá e voltou um ano. Chegou à nossa classe.

No começo éramos mais de cem, em uma sala que comportava três cursos superiores e nós, alunos, acho que boa parte dos que estavam ali tinham acabado de deixar o colegial, como eu. Seguiram direto para aquele espaço meio “sem lei”, você entra na aula se quiser e quando quiser, dependendo do professor que estiver lá.

Eu cheguei, tinha ido de ônibus e o lugar não era tão próximo de casa, uns 40 ou 50 minutos e eu chegava ao destino. Estava lá, totalmente deslocada, não gosto de me sentir assim, era tudo novo, um prédio grande e várias salas, lembro que a minha era a 202. Entro e vejo aquelas carteiras universitárias, óbvio né, Fernanda, me sentei e aguardei. Logo já estava trocando algumas palavras com aquela que hoje já não faço a mínima questão de encontrar na rua, nem eu e boa parte da classe que se formou há alguns dias, mas eu já chego lá.

Um professor falante e muito animado entra na sala, tenho um caderno, ou era um fichário? Não lembro? Sei que tinha algo para escrever, e ele logo registra email dele no quadro, a lousa. Lembro que ele falava ao microfone para a aquela sala gigante cheia de novatos, e dizia o quanto nossos pais deveriam estar orgulhosos por terem seus filhos na faculdade.

Primeiro dia. No segundo começamos a nos dividir. Entra na sala um professor louro, cara fechada. Começou a aula. Peraí, esse não era para nós, estudiosos do jornalismo. “Quem aqui é de Jornalismo”, ele pergunta. Eu e mais uma parte da sala levantamos a mão. Eis que ele responde: “Essa aula é de PP – A.K.A Publicidade e Propaganda – vocês podem sair, a aula é em outra sala.” Lindo, lá fomos nós, todos um pouco envergonhados e com um tiquinho de raiva daquele que, descobriríamos depois, era o coordenador do curso dos futuros publicitários.

Lembro que aquele dia não teria aula, então nos dividimos, sem muito critério, eu acho, ou nem nos separamos tanto assim, quem sabe? A memória me falta agora.

Ficamos em uma espécie de sacada, o andar da lanchonete, TS, ou térreo superior – isso é possível? – enfim, ficamos conversando, tentando nos conhecer, saber por onde passamos até chegar lá, as provas que fizemos, que faculdades prestamos e por que chegamos àquela.

Nomes e idade trocados, os olhos fixavam, e os ouvidos captavam tudo o que aquele novo mundo podia apresentar e representar.

Sei que apelidos surgiram e muitos outros foram ditos naquele dia, dos apelidos que se tornaram nomes, um deles é meu: Fetita. Após daquelas horas, se ainda me recordo, as panelinhas estavam formadas e os dias puderam então passar.

Quanta coisa, em uma sala com mais de 100 alunos, como seria dada a primeira avaliação? Como o professor conseguiria “controlar” os alunos para que não houvesse “cola”?

Homem e Sociedade, esse era o nome da matéria; ao entrar na sala, o digníssimo Felipe Salamanca, se assustou com tantas pessoas – tá bom, ele até devia imaginar tanta gente, ainda mais em semana de provas – e resolveu entregar as folhas para que respondêssemos em casa. Lindo! Lá fomos nós, de volta ao TS, a fim de buscar as respostas, ou mesmo inspiração para os textos que o professor-sociólogo nos pedia.

Semanas, meses e o segundo semestre se apresentou. As classes passaram a existir em diferentes e longínquos andares. Do segundo, fomos parar no quinto, imagina como era bom esperar o elevador sempre lotado ou mesmo ter que subir aquele monte de escadas ou rampas. Éramos então, a classe de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e por fim, Propaganda e Marketing.

A essa altura, depois de aproximadamente 1.460 dias, acredito que eu já não lembre muita coisa. Tenho palavras-chave e alguns flashes de memória. Envolvimentos aconteceram, não tantos, mas marcantes, aqueles que não tinham nada a ver, aqueles que poderiam ter se casado e não o fizeram, as crianças que nasceram entre os anos, os novos alunos que sugiram e saíram, as amizades que cresceram, muito e muito.

Esses quatro anos se foram muito rápido, depois de dois projetos integrados, muitas entrevistas, releases, textos, discussões, a conclusão do famigerado TCC e até muita hiperatividade, chegou o dia em que diríamos até logo, cada um deveria seguir o seu caminho, não que isso já não estivesse acontecendo, mas dessa vez, as noites durante a semana seriam ocupadas com outras coisas que não a aula de “Fotojornalismo”, “Assessoria de Imprensa”, ou mesmo às quartas, quando o “curintia” jogava e boa parte dos meninos não largava o fone e vez ou outra dava um pulinho em comemoração ao gol do time do coração.

Repito, quanta coisa. Sinto ser impossível citar nomes ou dias específicos, tenho em mim que foram ótimos dias, e cada um que passou comigo vai se lembrar, não da mesma maneira, tudo o que aconteceu.

Como não terminar um texto desses quase me debulhando em lágrimas? Não, não estou fazendo isso, na verdade, já comecei a rir sozinha, tanto de saudade e orgulho de todos e de tudo o que alcançamos.

Sei que não consegui expressar tudo o que gostaria, mas quem sabe se não está melhor assim do que ficar detalhando cada risada ou cada trabalho?

Quero mais.

Beijo sala 12.