quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Juro, no exercício das funções..."

"Juro, no exercício das funções de meu grau, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação. Juro empenhar todos os meus atos e palavras, meus esforços e meus conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade. Juro, no exercício do meu dever profissional, não omitir, não mentir e não distorcer informações, não manipular dados e, acima de tudo, não subordinar em favor de interesses pessoais o direito do cidadão à informação.”



Foram quatro anos. Tá bom, não exatamente quatro anos, mas bem perto disso, claro que há esse ou aquele que entraram depois ou mesmo o que já estava lá e voltou um ano. Chegou à nossa classe.

No começo éramos mais de cem, em uma sala que comportava três cursos superiores e nós, alunos, acho que boa parte dos que estavam ali tinham acabado de deixar o colegial, como eu. Seguiram direto para aquele espaço meio “sem lei”, você entra na aula se quiser e quando quiser, dependendo do professor que estiver lá.

Eu cheguei, tinha ido de ônibus e o lugar não era tão próximo de casa, uns 40 ou 50 minutos e eu chegava ao destino. Estava lá, totalmente deslocada, não gosto de me sentir assim, era tudo novo, um prédio grande e várias salas, lembro que a minha era a 202. Entro e vejo aquelas carteiras universitárias, óbvio né, Fernanda, me sentei e aguardei. Logo já estava trocando algumas palavras com aquela que hoje já não faço a mínima questão de encontrar na rua, nem eu e boa parte da classe que se formou há alguns dias, mas eu já chego lá.

Um professor falante e muito animado entra na sala, tenho um caderno, ou era um fichário? Não lembro? Sei que tinha algo para escrever, e ele logo registra email dele no quadro, a lousa. Lembro que ele falava ao microfone para a aquela sala gigante cheia de novatos, e dizia o quanto nossos pais deveriam estar orgulhosos por terem seus filhos na faculdade.

Primeiro dia. No segundo começamos a nos dividir. Entra na sala um professor louro, cara fechada. Começou a aula. Peraí, esse não era para nós, estudiosos do jornalismo. “Quem aqui é de Jornalismo”, ele pergunta. Eu e mais uma parte da sala levantamos a mão. Eis que ele responde: “Essa aula é de PP – A.K.A Publicidade e Propaganda – vocês podem sair, a aula é em outra sala.” Lindo, lá fomos nós, todos um pouco envergonhados e com um tiquinho de raiva daquele que, descobriríamos depois, era o coordenador do curso dos futuros publicitários.

Lembro que aquele dia não teria aula, então nos dividimos, sem muito critério, eu acho, ou nem nos separamos tanto assim, quem sabe? A memória me falta agora.

Ficamos em uma espécie de sacada, o andar da lanchonete, TS, ou térreo superior – isso é possível? – enfim, ficamos conversando, tentando nos conhecer, saber por onde passamos até chegar lá, as provas que fizemos, que faculdades prestamos e por que chegamos àquela.

Nomes e idade trocados, os olhos fixavam, e os ouvidos captavam tudo o que aquele novo mundo podia apresentar e representar.

Sei que apelidos surgiram e muitos outros foram ditos naquele dia, dos apelidos que se tornaram nomes, um deles é meu: Fetita. Após daquelas horas, se ainda me recordo, as panelinhas estavam formadas e os dias puderam então passar.

Quanta coisa, em uma sala com mais de 100 alunos, como seria dada a primeira avaliação? Como o professor conseguiria “controlar” os alunos para que não houvesse “cola”?

Homem e Sociedade, esse era o nome da matéria; ao entrar na sala, o digníssimo Felipe Salamanca, se assustou com tantas pessoas – tá bom, ele até devia imaginar tanta gente, ainda mais em semana de provas – e resolveu entregar as folhas para que respondêssemos em casa. Lindo! Lá fomos nós, de volta ao TS, a fim de buscar as respostas, ou mesmo inspiração para os textos que o professor-sociólogo nos pedia.

Semanas, meses e o segundo semestre se apresentou. As classes passaram a existir em diferentes e longínquos andares. Do segundo, fomos parar no quinto, imagina como era bom esperar o elevador sempre lotado ou mesmo ter que subir aquele monte de escadas ou rampas. Éramos então, a classe de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e por fim, Propaganda e Marketing.

A essa altura, depois de aproximadamente 1.460 dias, acredito que eu já não lembre muita coisa. Tenho palavras-chave e alguns flashes de memória. Envolvimentos aconteceram, não tantos, mas marcantes, aqueles que não tinham nada a ver, aqueles que poderiam ter se casado e não o fizeram, as crianças que nasceram entre os anos, os novos alunos que sugiram e saíram, as amizades que cresceram, muito e muito.

Esses quatro anos se foram muito rápido, depois de dois projetos integrados, muitas entrevistas, releases, textos, discussões, a conclusão do famigerado TCC e até muita hiperatividade, chegou o dia em que diríamos até logo, cada um deveria seguir o seu caminho, não que isso já não estivesse acontecendo, mas dessa vez, as noites durante a semana seriam ocupadas com outras coisas que não a aula de “Fotojornalismo”, “Assessoria de Imprensa”, ou mesmo às quartas, quando o “curintia” jogava e boa parte dos meninos não largava o fone e vez ou outra dava um pulinho em comemoração ao gol do time do coração.

Repito, quanta coisa. Sinto ser impossível citar nomes ou dias específicos, tenho em mim que foram ótimos dias, e cada um que passou comigo vai se lembrar, não da mesma maneira, tudo o que aconteceu.

Como não terminar um texto desses quase me debulhando em lágrimas? Não, não estou fazendo isso, na verdade, já comecei a rir sozinha, tanto de saudade e orgulho de todos e de tudo o que alcançamos.

Sei que não consegui expressar tudo o que gostaria, mas quem sabe se não está melhor assim do que ficar detalhando cada risada ou cada trabalho?

Quero mais.

Beijo sala 12.

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