sexta-feira, 5 de agosto de 2011

GPA

Sempre atraso alguns textos pensando em postá-los depois, e o tempo passa sem que eles sejam conhecidos, o fato é que chega a ser engraçado como alguns dos meus melhores momentos acontecem antes de dormir. Sempre me aparece alguma coisa, começa a palpitar tudo aqui dentro e eu só procuro escrever.

Faz tempo, mas eu ainda me lembro aquelas manhãs tão sonolentas e frias, ou até de calor, em que eu precisava subir no salto, colocar um social, pegar a mochila, nada graciosa e subir no ônibus. Dormia uma hora, parece que meu inconsciente já estava programado, sabe? Nem precisava me preocupar, tanto, só vez ou outra que eu acordava batendo a cabeça no vidro, ou achando que tinha começado a roncar. Dentro do ônibus, pode isso? Constrangedor mesmo. Depois, era o metrô, apertado, desconfortável, mas a única linha que eu gosto, ainda hoje, e para fechar, a avenida que me faz um bem e mal ainda, cheia de histórias e passos atrasados. Eu descia a grande avenida, e escolhia qual lado descer, dependendo do dia, só pra não cair na inevitável rotina. Passava por dentro do “shopinho”, olhava alguns livros, pensava naqueles que eu queria comprar e tomava o caminho.

A mochila pesava, como pesava, ainda mais quando eu resolvi carregar pra cima e pra baixo aquele computador. Incrível como eu não tinha medo de pegar metrô, ônibus e andar a pé com aquilo nas costas. Acho que já fazia parte de mim.

No começo era até legal, tudo novo, aprendendo a apanhar e depois, distribuindo socos aos que tentavam me enfrentar. Difícil, começar sempre pelo mais difícil não é sempre tão legal. Ainda mais quando você é a única, só. Conheci pessoas maravilhosas, e o vinagre balsâmico ainda me lembra dos almoços com Roseli, a única que sabia brigar comigo. Precisei.

A locadora, o prédio, o cabelo, as pessoas, a música e o namorado. O telefone era liberado, mas assim, liberado mesmo. Imagine se eu não gostava, obvio. Também preferia o prédio bonito, aquele de frente pra avenida, quase em frente à casa do papai Abílio e à Lorena. Bonita, comprida e de gente abonada.

O dia passava, dependendo dos problemas, rápido ou muito lentamente, como em qualquer outro trabalho. Cada dia mais gente entrava pra lista de contatos, técnico, técnicas, máquinas, palavrões, postura e o salário. A folha de ponto era preenchida, não garanto que dizia totalmente a verdade, mas confesso que quando apareceu, minha disciplina aumentou. Ou foi mesmo uma forma de passar por cima sem saberem? Não mereci, mereciam.

Assim como hoje, eu preferia o horário de verão, às 17h30, que era quando eu no máximo desaparecia daquele lugar, estava tudo claro. Subir a Brigadeiro a pé não seria problema, mas o Bilhete sempre falou mais alto. Metrô lotado, a mochila na mão, e o celular atento, vira e mexe aparecia um problema novo, daqueles que precisavam do suporte, insuportável, para ser resolvido. Ótimo o caminho da faculdade se tornava tão mais chato!

Quando não acontecia, era lindo, o metrô continuava lotado, mas o celular ficava no FM ou em algumas músicas do arquivo. Corre do metrô, não lembro agora qual linha, mas a integração ajudava, e eu depois de entrar em um ônibus pela terceira vez eu subia no próximo, a quarta. Muita gente e, dependendo do humor eu ficava na fila esperando o próximo, encontrava sogra, namorado, alguém que segurasse a mochila, ou até conseguia sentar e cochilar, dessa vez o caminho até a Anchieta era mais curto. Perder o ponto não seria nada bom, apesar de ter acontecido uma única vez, em que eu quase que literalmente pulei os bancos para descer correndo no ponto segundo ponto depois da faculdade.

Quando não tinha aula, o número era 493, e é ainda hoje, caso eu queira fazer o mesmo caminho. Impressionante, não importava o dia, ou lugar em que e sentasse, o sono perseguia. Claro que, nessa volta, o medo surgia, agarrava a mochila e só acordava próxima de casa. Era também um trajeto muito cansativo, mas foi em vários dele que eu descobria In Natura, o “Sorriso de Flor”, as mensagens e ligações mais meigas e cretinas também. A chuva que parava tudo, as lágrimas que escorriam escondidas dos outros passageiros, o coração apertado e o dia que a descobriu, podia ficar sozinha.

Tanta coisa ainda ficou, tanta coisa faltou, acho que sobra também, mas não importa. O caminho vai sempre me trazer lembranças, e eu lembro, não saudosa, mas estranhamente feliz e desconfortável. Ainda não sei o porquê.

1 piscadas:

  1. Essa avenida é a que eu sempre saiu do lado errado, independente da estação que eu desça (hehe).

    Bem legal o seu texto, embora um cérebro cansado após um dia de trabalho, tenha que recomeçar algumas frases para entender o significado delas, por causa delas não seguirem o estilo sem tempero que estou mais acostumado a lê. :)

    Essa época de faculdade, trabalho e o que sobra de vida, é bem complicado mesmo. Praticamente, vivemos no automático, preso uma rotina, cuja qualquer fuga, reflete imediatamente ou no nosso trabalho ou nos estudos.

    Mas faz parte da vida, e não é "privilégio" de meia dúzia passar por essa fase. Mas como toda fase, ela passa, e aí ficam apenas as lembranças. E quanto mais lembranças melhor, afinal, é bom lembrar, mesmo não sabendo o porquê.

    Abraços!

    P.S.: Acho que eu fiz a primeira comunhão na mesma turma que você, ou alguma turma paralela a minha (rs), mas lembro que você estudava no Galeão.

    ResponderExcluir